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    quinta-feira, 13 de setembro de 2012

    As Crônicas do Otaku: Mangás, mercado e kabum!

    Ou era uma vez um pobre otaku...



    Outro dia estava na banca onde sempre compro meus mangás. A dona, que já me atura há alguns anos, havia separado os títulos que sempre compro. Dessa vez, foram 7 edições ao todo. Olhando para aquela pilha de mangás que me fizeram desembolsar mais de 80 reais, comecei a refletir sobre o mercado de mangás no Brasil e como ele vai levar a nós, fãs, à falência.
    Você pode estar se perguntando: Ora, é só não comprar muita coisa e comprar o que está no orçamento. Verdade, mas fica difícil escolher quando há tantos títulos bons nas bancas. Só no primeiro semestre foram vários lançamentos, somando mais de 30 títulos nas bancas, dos quais uma boa parte tem um grande fandom no país (nem preciso comentar quem são não é?). E adivinhem o que vem acontecendo? Acertou quem disse que temos um mercado inflacionado, com muitos títulos e fãs desesperados sem saber o que fazer para comprar tudo. Mas então quer dizer que os mangás vendem mal Urashima-san? Não, pelo contrário, o grande número de títulos se dá devido aos bons números de vendas e mostra que este é um mercado que vem crescendo. O problema está no planejamento errôneo que as editoras fazem, colocando muitos títulos a disposição ao mesmo tempo. 
    A Panini é um bom exemplo de planejamento (no quesito periodicidade, que fique bem claro) e mostra que elas entenderam que tem que trazer novos títulos  sim, mas sem encher o checklist mensal com eles. A grande maioria dos títulos da editora é bimestral, intercalando aqueles que tem colecionadores em potencial comum (criei - eu acho - esse termo, que significa alguém que coleciona Naruto e que possivelmente vai colecionar Belzebub) para que todos possam comprar. Fora os mimos (páginas coloridas, pôsteres...) que várias edições trazem, atraindo os leitores que buscam um material mais próximo ao original. Não estou dizendo que a Panini é perfeita, e ela não chega nem perto disso (e tampouco está preocupada em agradar leitores, sejamos francos), afinal, sempre tem atrasos.
    Ainda remando contra a maré vem a JBC. Nos últimos meses a editora deu um grande salto na qualidade. Aumentou a gramatura do papel nos seus títulos principais, (finalmente) colocou páginas coloridas presentes nas edições originais, bem como capas internas impressas e capas mais rígidas. Fora o relançamento (e o lançamento) de alguns títulos em papel offset e com um acabamento melhor. Mas ainda assim mantêm a grande parte dos seus títulos mensalmente. E as melhorias na qualidade influenciam diretamente no preço, ou seja, fica difícil acompanhar muitos títulos custando mais de 10 reais todo mês. Tudo tem um preço e não se consegue nada sem algum sacrifício (nesse caso, aquela festa que você queria ir mas não vai pra poder comprar a nova edição de Soul Eater).
    Sempre que há a notícia de algum lançamento vejo comentários como "Espero que seja bimestral", "Meu Deus, meu bolso não aguenta" ou "É agora que vou a falência". Não é exagero. Mesmo o mercado em crescimento, o mesmo não acontece com a economia nacional. A realidade brasileira é mais cruel que a Road. A maior parte da população está nas classes C, D e E. O que fazer quando você trabalha que nem o cão e o que recebe tem que pagar as contas e rezar pra sobrar uns trocados pra você sustentar o seu hobby? (não vale se prostituir no makai) Outra falha grave é a distribuição, que deixa a ver navios os fãs e vem causando o pânico entre os jornaleiros. Grande parte dos títulos é lançada nas capitais e só chega na maior parte das bancas 3, 4 meses depois. Só que muitos são afobados (como eu) e compram pela internet (cujo frete vem ficando cada vez mais barato) ou nas capitais. E o que acontece com os títulos nas bancas? Simplesmente encalham. Ora, se não está vendendo tal volume é porque ninguém quer, então paro de vender de vez já que não estão saindo. Saindo estão, mas por outros meios.
    Fico feliz em ver que o mercado de mangás vai crescendo (enquanto o de animes foi pro brejo sem direito a Monstro que Renasce), mas ao mesmo tempo preocupado em perceber que tem muitos títulos que venderiam mais se não tivessem tantas opções boas numa mesma editora (pois na concorrência é inevitável e preciso para manter o mercado forte) e chegasse nas bancas no mesmo prazo do lançamento. Isso pode acontecer um dia, mas até lá continuarei repetindo o ritual de ir na banca e comprar vários títulos lançados há meses para alegria da dona, desespero do meu bolso e o suicídio do meu pobre orçamento.

    Até a próxima! o/

    P.S.: Faz tanto tempo que não escrevo que saiu essa coisa medonha que chamo de crônica. Não liguem. Mais uns 3 ou 4 textos e eu volto a ser o sem noção de sempre ¬¬

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