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    sábado, 30 de abril de 2011

    National Kid

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    Demorou mas finalmente iniciamos a coluna Tokusatsu. E nada melhor que começar com um clássico, que fez um grande sucesso por aqui e foi um dos primeiros a aportar por terras brasileiras (na época em que meu avô ainda surfava). Sem mais enrolação, vamos conhecer um pouco mais sobre esse herói mascarado que nos protegia dos aliens que queriam dominar/destruir o mundo?

    National Kid foi exibido no Japão de 4 de agosto de 1960 a 27 de abril de 1961, sendo composto de 39 episódios produzidos pela toda poderosa Toei Company e exibida pela NET, a atual TV Asahi. O seriado foi encomendado pela National Electronics Inc., atual e quase esquecida Panasonic. A intenção era que o seriado servisse de merchandising para a fábrica de eletrodomésticos (o que pode ser claramente percebido pelos dizeres do locutor antes da música de abertura: Mais rápido que os aviões a jato, mais forte que o aço! Super herói invencível, cavaleiro da paz e da justiça.... National Kid! , uma clara demonstração das qualidades dos produtos da fábrica).  A tarefa de dar vida a esse projeto foi entregue ao mangaká Daiji Kazumine, o criador de Spectreman (que falaremos numa próxima matéria). O personagem deveria ter poderes especiais, voar e lutar pela paz no mundo (ou seja, todos os batidos clichês que estamos acostumados nos dias de hoje, mas que na época era uma grande novidade), além de carregar o nome da empresa, o que ajudaria a aumentar as vendas (o mesmo que acontece nos comerciais de TV hoje, onde um artista alia seu nome a uma marca para ela vender mais).

    Um herói num planeta alheio

    Eu sei que o subtítulo pode parecer estranho, mas ele resume bem como começa a história. National Kid voava no espaço vindo da sua terra natal, na nebulosa de Andrômeda, quando percebeu uma grande nave espacial indo em direção ao planeta Terra e resolveu ir dar uma xeretada para ver o que era. Ele acabou descobrindo que eram os Incas do planeta Vênus (os famosos Incas Venusianos), que vieram para tomar o planeta pois os humanos haviam construído a bomba atômica. Claro que o nosso herói não iria ficar de braços cruzados e por isso resolveu ajudar os terráqueos na luta contra este e outros inimigos que estariam por vir ao longo da série.

    Nem vou comentar a fantas… digo, o uniforme do nosso herói. Vestido com uma roupa espacial, um capacete parecendo um ovo de galinha, a máscara que inspirou a Tiazinha, capa (ou um lençol que ele pegou da mãe, como preferir), luva e com uma grande e chamativa letra "N" estampada no peito, nosso herói salvava a todos e era auxiliado (ou atrapalhado) por vários personagens, como o Massao Hata (que depois se revelou como National KId), um pacato professor japonês cujos alunos eram as crianças Gôro, Kura, Yukio, Kioko, Tomohiro e Tiako e o cientista Dr. Mizuno, além do delegado Takakura e seu assistente Doi.

     

    Com certeza não é o seu  visual que o destaca na multidão de heróis que viriam a seguir, e sim o seu modo de voar. Bem diferente do Super-Homem, ou qualquer outro herói da Marvel ou da DC, ele voava com os braços abertos, como se fosse um avião. Ah, e não podemos nos esquecer do seu cinto de utilidades, onde ele podia contar com duas pistolas lazer (leia-se luz piscando) que nocauteava seus adversários. Suas lutas no corpo-a-corpo eram um show a parte, o que influenciou (e muito) as artes marciais dos filmes de hoje

    As ameaças à Terra

    Toda boa história tem que ter muitos vilões, já que são eles que dão toda graça. Com National Kid não foi diferente. Os seus 39 episódios são divididos em 5 arcos (e consequentemente temos 5 vilões). Vamos conhecer um pouco mais destes invasores do planeta Terra?

    Os Incas Venusianos

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    Seres de orelhas pontiagudas, vestidos em um traje cor preta com a letra Z estampada na camisa (qualquer semelhança com um chimpanzé não é impressão sua), eram comandados pela imperatriz Aura (tá eu sei, o nome não é lá muito criativo, mas fazer o que não é, naquela época tudo isso era bem original). A característica marcante era a sua saudação ao Deus deles "Awika" que em seguida aparecia uma mulher executando uma dança típica a meia luz enquanto eles ficavam imóveis com os braços cruzados (se você assitiu à série e não viu essa dança, relaxa, parte da dança foi muito cortada e por isso você não é o único que não viu =D). Voavam elevando os joelhos, parecendo estar correndo no espaço.

    Os Seres Abissais

    abissal5Governados por Nelkon, o demônio do Reino Abissal, andavam a bordo do submarino-monstro cujo nome era Celacanto, ou Guilton. Quando este balançava as barbatanas, provocava um terremoto, daí a famosa frase: "Celacanto provoca maremoto" (“Tarzan salva Jane”, vai dizer que não parece?). Eles eram seres das profundezas do mar, que estavam “P” da vida a poluição provocadas pelo homem.

    O Império Subterrâneo

    Os seres subterrâneos, comandados por Helltar e Hana (não, não é a Hannah Montanah da série de TV da Disney) se associam ao Dr Kuroiva, para obter a fórmula do elemento Cobálcio, que traria poderes aos possuintes (tenho quase certeza que já vi isso em algum filme produzido entre 2000 e 2009, só não me lembro qual =P).

    Os Zarrocos do Espaço

    Seres de narizes finíssimos que comandavam o monstro Giabra. Este só não destruiu as cidades de Tóquio, Osaka e outras menos conhecidas por intercessão do National Kid.

    O Mistério do Garoto EspaciaNationalKid02

    Tarô, o garoto espacial, usando sua nave com uma peculiar forma de ovo, sai de casa em seu planeta natal sem o conhecimento do seu pai e vai visitar o planeta Terra mas é atingido por engano por um foguete lançado pelo Japão que não entenderam o que aconteceu. Com a queda da sua nave, ele fica sem memória e é encontrado pelos detetives mirins (alunos de Massao Hata) que o levam para casa. O pai de Tarô, recebe a visita do Dr Kuroiva que o engana dizendo que o choque com o foguete foi um ataque terrestre contra seu filho. Irado, ameaça destruir a Terra começando por Tóquio. Seu filho que tinha recuperado a memória, ficou amigo dos detetives mirins e tenta se comunicar telepaticamente com seu pai mas em vão. No dia em que a nave do seu pai iria destruir a Terra, Tarô e as crianças vão caminhando de mãos dadas em direção a nave que havia pousado antes. O pai de Tarô percebe que o filho está entre eles e suspende o ataque até a chegada das crianças que o convence que os terráqueos eram boas pessoas. Assim Terra é salva e quando a nave vai embora, lança um poderoso raio em direção a nave do Dr Kuroiva que tinha acabado de assumir tudo por motim mas é destruído logo em seguida. Tarô volta em segurança ao seu planeta em sua nave em forma de ovo agradecendo a ajuda que teve dos detetives mirins. No fim desta história, Massao Hata revela a sua identidade secreta e com a missão cumprida volta para Alfa-Centauro mas não sem antes deixar uma mensagem de paz e otimismo.

    National Kid em terras tupiniquins

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    O Tokusatsu chegou ao Brasil no começo da década de 60, sendo exibido na TV de 1964 até início dos anos 1970 pelas TVs Rio, Record e Excelsior. A série só parou de passar na TV porque o então Ministro da Justiça da ditadura militar, Alfredo Buzaid, censurou todas as séries que tinham super-heróis voadores (não sei o que eles pensaram, afinal, como um super herói que pregava pela justiça e a liberdade iria ameaçar um governo ditatorial opressor e cheio de injustiça?).  Ainda que tenha sido grande sucesso entre a gurizada por aqui (não se espante se seu pai estiver no meio), no Japão a coisa não foi um mar de rosas. Nas palavras de seu próprio produtor, que em viagem ao Brasil na década de 90, foi descoberto por um repórter que o entrevistou, disse ter se surpreendido com a popularidade que a série havia conseguido alcançar no país. E essa popularidade se mantêm até hoje, pois os Incas Venusianos e a expressão Celacanto provoca maremoto, derivadas da série, são assunto até hoje. E quem pensou que a série iria parar no limbo, se enganou. Em 2009 ela foi lançada em DVD pela Focus Filmes, que vem investindo bastante em tokusatsus no país (a verdadeira salvação da lavoura pro Otakus nascidos pós anos 90).

    Espero que tenham gostado dessa primeira matéria, que inaugura com chave de ouro a coluna Tokusatsu. Em breve trarei outras séries tokusatsus. Se quiser mandar sua sugestão, pode se sentir à vontade, bastando clicar aqui.

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