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    quinta-feira, 10 de março de 2011

    Tokusatsus: O começo de tudo

    032700  Saiba um pouco mais sobre esse gênero que revolucionou o mundo (ou pelo menos o Brasil)
    jirayaMuita gente pensa que que a revolução dos animes, mangá e afins no Brasil começou com a febre dos Cavaleiros do Zodíaco nos anos 90 ou com a explosão de Naruto na rede mundial de computadores e que devemos a eles tudo sobre a cultura japonesa que adentrou no país desde então. Não que estejam errados, mas apenas analisam a questão por aquilo que vivenciaram ou leram em revistas ou sites da internet. Mas muito antes do Seiya soltar seu primeiro meteoro ou dos ninjas de Naruto usarem o seu primeiro justu em terras tupiniquins, nos idos anos 60 outro herói japonês é que defendia o mundo por aqui. Estou falando de Nacional Kid, a primeira série nipônica a desembarcar por aqui. Antes disso várias outras séries foram rejeitadas, pois eram diferentes das animações a-lá Disney que os brasileiros estavam acostumados, mas  o sucesso dessa série abriu os olhos das emissoras para os personagens do olhos grandes (me desculpem pelo trocadilho).
    Tokusatsu é uma abreviatura da expressão japonesa "tokushu satsuei" , que pode ser traduzida como "filme de efeitos especiais". Antes, qualquer produção que utilizasse efeitos especiais era classificada como Tokusatsu, mas agora se tornou sinônimo de filmes ou séries live-action de super-heróis produzidos no Japão com vários efeitos especiais (ou seja, muita explosão, fogos de artifício, monstros sendo explodidos, e poses muito estranhas).  Muitos deles foram depois copiados pelos americanos, tornando-se um dos fenômenos mundiais, como por exemplo Kamen Rider, Godzilla (e seu filme que nos deixa com aquela sensação de “ué, acabou?” no final) e servindo de inspiração para a série Power Rangers (sim meus amigos, Power Rangers também é criação japonesa).
    Como tudo começou…godzilla
    Posso até estar sendo redundante no subtítulo (ou usando um dos clichês mais batidos do mundo), mas com certeza esse é o mais apropriado. Após a 2ª Guerra os EUA iniciou uma expansão nacionalista pelo mundo, usando para isso heróis que exaltavam os ideais “justos” americanos, como o Superman, a Mulher Maravilha e o Capitão América (ou ninguém percebeu que as cores das roupas deles combinavam com a bandeira Estadunidense?). Lógico que o Japão, conservador como era, não estava nem um pouco disposto a permitir a invasão alienatória americana, por isso iniciou os primeiros projetos para a criação de seus próprios heróis, que defendessem a ideologia japonesa. As primeiras produções tokusatsu de que se tem notícia foram os longa-metragens do monstro Godzilla (produzidos pela Toho), que fizeram muito sucesso na década de 50. Em 1958, a Toei Company (sim, a mesma que hoje produz Cavaleiros do Zodíaco) produzia o primeiro super-herói japonês da história: Gekko Kamen (traduzido como Máscara Luar). A partir de então, o gênero começa a abranger as séries televisivas e produções cinematográficas de super-heróis. Nos anos 60, desencadeado pelas novas tecnologias da época (principalmente pela televisão a cores),o gênero começa a se reinventar, um período em que a produção de heróis aumentou consideravelmente e diversas produtoras engajavam-se na criação de novas e variadas produções.
    ultraman5Em 1966, pelas mãos de Eiji Tsuburaya, surge Ultraman, herói que revolucionou o conceito do tokusatsu e desencadeou uma das maiores ondas produtivas e iniciou o sucesso dos chamados Kyodai Heroes (heróis gigantes), que invadiram a TV japonesa até meados dos anos 70. Anos mais tarde, em 1971, a série Kamen Rider, do mangaká Shotaro Ishinomori, ganha uma adaptação para a televisão, tornando-se um dos maiores sucessos da época e também "abrindo" uma nova franquia que, de certa forma, mostrava-se como uma antítese ao "modelo gigante" dos heróis gigantes. Em 1975, estreia a série Himitsu Sentai Goranger (Esquadrão Secreto Goranger), que abre uma nova vertente no tokusatsu: o gênero Super Sentai (então chamado simplesmente de "Sentai"), que também fez grande sucesso e tornou-se uma franquia independente.
    Ao longo do tempo, o gênero tokusatsu aumentou de forma considerável sua abrangência, atualmente contemplando não apenas as séries e filmes de super-heróis produzidas anualmente, mas também outras produções anteriormente não abrangidas (como as adaptações live-action de mangás ou animes, por exemplo). Sim, mas como isso serviu para abrir as portas das produções nipônicas no Brasil? Calma, vamos chegar lá.


    A invasão nas terras Tupiniquins
    1fdbcb6d7d288684f97565e227b8a21360c767c6O Tokusatsu chegou ao Brasil na década de 60, com a exibição de National Kid na TV Tupi e na Rede Record. A série foi um sucesso de público , porém, com a ditadura militar da época, a série foi cortada e posteriormente censurada. Antes dele, outras séries como por exemplo Astro Boy, foram oferecidas às emissoras brasileiras, mas ninguém quis, pois não queriam arriscar em produções de um país ainda ofuscado pelos holofotes americanos. Mas com a exibição do exótico herói, as portas foram abertas para outras séries como Speed Racer e os seriados da família Utraman. Pode perguntar ao seu pai ou ao seu avô se eles não assistiam essas séries todos os dias.
    Na década de 80, chegava à televisão Jaspion e Changeman, em um investimento arriscado do empresário Toshihiko Egashira com a Rede Manchete. Ao contrário do que se pensava, as séries obtiveram um enorme sucesso, gerando uma explosão do gênero de super-heróis japoneses no Brasil, abrindo as portas do mercado para a vinda de novas séries e a venda de produtos e brinquedos. Por conta disso, os anos 80 foram marcados por essa "onda" da cultura japonesa na televisão. Não me admira que até hoje muita gente que nem era nascida ainda (eu por exemplo) reconheça esses heróis, pois a fama deles atravessou gerações (mais uma frase clichê, eu sei). changeman
    Segundo Toshihiko Egashira, antigo dono da Everest Vídeo (depois Tikara Filmes), com o sucesso das séries outras empresas tais como a Oro Filmes e a falida Top Tape também se interessaram por outras séries e com o tempo o género tornou-se uma coisa muito comum. Algo digno de nota é a concorrência com a série nipo-americana Power Rangers, que usa as cenas de ação japonesas e atores americanos. Não por esta ser de melhor qualidade, mas pelos seus menores custos de distribuição, tradução e dobragem. Consequentemente, na atualidade (com exceção da UlbraTV, da NGT e da Rede Brasil) há todo um quadro de desinteresse das emissoras brasileiras quanto ao género, o que é uma pena, já que muita coisa boa acaba ficando perdida na gaveta das licenciadoras. Boatos até dizem que em breve os tokusatsus voltarão com força para TV, já que em 2009 a empresa Focus Filmes lançou de três séries do gênero em DVD: Jaspion, Changeman e Jiraiya (exibidas pela Manchete na década de 80). Mas é bem difícil prever a cabeça das equipes que escolhem o que colocar no ar. Parece que eles foram hipnotizados, pois só enxergam o que vem da terra do Tio Sam.
    No começo do século XXI a série Kamen Rider Kuuga até chegou a ser adquirida pela empresa DaLicença (a mesma licenciadora que trouxe para o Brasil animes como Dragon Ball Z, Card Captor Sakura e outros), mas adivinhem, não houve interesse das redes de televisão em adquiri-lo. Felizmente dois filmes de Ultraman (Ultraman The Next e Ultraman Tiga - A Odisseia Final) foram lançados oficialmente no país em DVD pela Impact Records.  Em setembro de 2008, foi exibido no Cinemax o filme "Ultraman Mebius & Ultraman Brothers", no qual os antigos Ultras reaparecem para ajudar Mebius. A exibição do filme, com legendas em português, e em 2009 a exibição da série Madan Senki Ryukendo pela RedeTV!  animou os fãs e reacendeu a esperança de um dia, o Tokusatsu retornar à TV brasileira. Esperança essa que cada vez mais vem se esvaindo, não só em relação aos Tokusatsus, mas também se estende a qualquer outra produção nipônica.
    Kamen Rider Black
    É claro que tem muito mais a se falar sobre esse vasto gênero, então acompanhem a série especial sobre os Tokusatsus na semana que vem.  Ninja Até lá!

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